Religião e Educação na Zona Oeste do Rio de Janeiro

Docente responsável: Michel Gherman

Pesquisadores: Samuel Barbosa, Maria Luiza Afrízio e Letícia Anderson

Descrição: Pesquisa desenvolvida no Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ-UFRJ), com apoio da Fundação Open Society, a partir do projeto “O    lugar da Israel Imaginária na Extrema Direita Brasileira”. Sob supervisão do Prof. Dr. Michel Gherman, participaram da pesquisa o mestrando em História Social  no PPGHIS/UFRJ Samuel Barbosa Junior e as graduandas em Ciências Sociais na UFRJ Maria Luiza Afrizio e Letícia Anderson. A pesquisa se concentrou nas  relações interreligiosas no âmbito da Educação Básica do Estado do Rio de Janeiro, realizando entrevistas com professores de dois colégios estaduais, localizados no bairro de Campo Grande. O objetivo principal foi o de compreender as influências político-sociais externas ao ambiente educacional e como  interagem com sua realidade interna na produção de diálogos, críticas ou embates intolerantes entre visões religiosas dentro de um espaço, em teoria, laico.

Período da pesquisa: dez. 2023 – mai. 2024

Professores entrevistados: Filosofia (7), Sociologia (3), História (6), Ensino Religioso (2), Ed. Física (1) e Articulador Pedagógico (1).

Para acessar às transcrições, solicitar através do e-mail: estudosjudaicosufrj@gmail.com

O impacto do Julgamento de Eichmann no "Paraíso Racial": Impressões da Mídia Brasileira sobre Perpetradores e Vítimas de Violência Racial (1960- 1970)

Docente: Monica Grin
História Contemporânea – Instituto de História da UFRJ

Nas circunstâncias do julgamento de Eichmann, desde a sua captura em 1960 na Argentina, até a execução da sua pena de morte em 1962, a opinião pública mundial pôde acompanhar avidamente os episódios diários daquele experimento dramático a partir do qual as vítimas, sobreviventes do holocausto, ganhariam naquela e nas décadas seguintes uma nova inscrição moral e afetiva no imaginário do ocidente. A elevação da vítima à condição de protagonista naquele experimento dramático, desafiaria a memória histórica da Segunda Guerra Mundial, marcada substancialmente no imaginário do ocidente como a história da vitória dos aliados na luta contra o nazismo, a mais eloquente narrativa da luta do bem contra o mal. Há uma larga produção historiográfica que desde então explora as dimensões transnacionais do julgamento de Eichmann, buscando identificar as particularidades da sua recepção conforme o contexto nacional e cultural. O objetivo da pesquisa  é investigar o impacto simbólico, raramente tratado, do legado do julgamento de Eichmann no contexto brasileiro.

Além dos impactos subjetivos sobre indivíduos, o legado do holocausto, como construção de uma tragédia histórica, quando confrontado com códigos morais, afetivos e mesmo simbólicos de diferentes culturas e nações, adquire contornos que dizem mais sobre essas culturas e nações, do que sobre o legado propriamente dito. No Brasil, parece ser esse o caso. A recepção pela imprensa brasileira do Julgamento de Eichmann nos idos dos anos sessenta, revelaria a retórica de um país que, distante do contexto da guerra, buscou reforçar o lugar de guardião moral da harmonia racial, da coexistência racial diante do racismo não só do Terceiro Reich, mas de todo o ocidente.

Bolsistas PIBIC:
Beatriz dos Santos da Silva
Lucas Oliveira

Memória(s) da Experiência Portuguesa na I Guerra Mundial.

Docente: Silvia Correia
História Contemporânea – Instituto de História da UFRJ

Pretendemos, neste projeto, olhar para os processos de reconfiguração da experiência de guerra pela forma como se procura narrar o inenarrável, submerso por múltiplas camadas de censura impostas pelo estado de guerra. Atentando à forma e conteúdo da(s) memória(s) dos soldados portugueses que lutaram na Grande Guerra, lidando com todas as suspeitas de anacronismo, subjetividade, invenção, procuramos perceber a sua ambivalência na forma como escapam, ou não, à narrativa maniqueísta da guerra.

Violência Política e Regimes Autoritários no Século XX: História, Memória e Historiografia

Docente: Vinícius Liebel 
História Contemporânea – Instituto de História da UFRJ

Este projeto tem como objetivo contribuir para a consolidação do Grupo de Estudos sobre Violência política e regimes autoritários no século XX. O grupo surgiu ainda no primeiro semestre de 2019, a partir dos diálogos e da expectativa de ampliação dos intercâmbios acadêmicos entre pesquisadores vinculados ao Núcleo de Estudos Contemporâneos da UFF (NEC) e ao Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da UFRJ (NIEJ). Sediado no Instituto de História da Universidade Federal Fluminense (IHT/UFF), o grupo nasceu estreitamente vinculado ao NEC/UFF, como expansão e, ao mesmo tempo, reconhecimento das particularidades de uma de suas linhas de pesquisa “Violência política, social e regimes autoritários no século XX”, e ganhou contornos específicos e interinstitucionais a partir do aprofundamento dos diálogos com pesquisadores do NIEJ/UFRJ. Trata-se, portanto, de uma iniciativa interinstitucional dedicada à reflexão sobre temas relativos aos processos de violência política que marcaram o século XX na Europa e na América Latina.

Democracia em Tempos de Guerra Fria

Docente: Vinícius Liebel 
História Contemporânea – Instituto de História da UFRJ

O presente projeto visa à reconstrução contextual e teórico-conceitual do pensamento de dois intelectuais de destaque no período da Guerra Fria: Hannah Arendt e Raymond Aron. Lançando mão de perspectivas apoiadas na História Cultural do Político, na História Intelectual e nos campos auxiliares da História Filosófica e da História Conceitual do Político, o trabalho aqui descrito irá focar sobre as considerações dos dois intelectuais selecionados acerca da natureza da República e da Democracia, assim como da violência, do totalitarismo e de revolução. Pretende-se, assim, inserir os dois bolsistas selecionados, cada qual dedicando-se primariamente a um dos autores, em uma pesquisa histórica voltada à vida e obra de intelectuais, proporcionando, da mesma forma, uma compreensão especializada acerca de conceitos e reflexões que se mostram centrais para entender o período da Guerra Fria e discussões que reverberam ainda hoje em praticamente todo o globo.

O judeu imaginário: um caso de conversão e desconversao:

Docente: Michel Gherman
Departamento de Sociologia da UFRJ

O debate sobre a construção da imagem do judeu na modernidade europeia não é um tema novo. Desde as reflexões propostas por Hannah Arendt até os conceitos de Zygmunt Baumann, que propõe que o judeu funcione como uma espécie de prisma (que contém as cores que o lhe observador impõe) da cultura europeia, são muitos os autores que lidam com noções de um judeu imaginário na história no século XX. Estudos de Nelson Vieira, Monica Grin e Bernardo Sorj também discutem a construção da imagem do judeu no contexto específico do Brasil. Entretanto, foi o filósofo Allain Finkielkraut, já em fins do século XX, que desenvolveu propriamente o conceito de “Judeu Imaginário”.

A proposta de Finkielkraut tem como ponto de partida a percepção de que à direita e à esquerda “o judeu” ocupa um lugar central na identidade social e politica da Europa. Apropriando-se das reflexões de Benedict Anderson, o filósofo sugere que esse “judeu imaginário” está completamente divorciado da experiência histórica do judeu e que sua emergência está atrelada à consolidação de um modelo, seguido por diversos grupos, para demandar políticas específicas de reconhecimento. Finkielkraut também percebe o uso de Israel como espécie de continuação do judeu imaginário. Nesse caso, a “Israel Imaginária”, que tem pouca relação com o Estado de Israel, é o elemento sintetizador de disputas e interesses religiosos, sociais e políticos.

No Brasil dos 2000, percebemos que a Israel é o judeu imaginários também funciona como referência politica de diversos grupos que atuam no complexo contexto social do país. Grupos de direita e de esquerda servem-se, cada um a sua maneira, desta perspectiva para intervir em suas respectivas agendas. Nossa proposta nesse laboratório é discutir justamente os processos de construção da Israel imaginária no contexto da Política contemporânea brasileira. Grupos diversos têm usado Israel, incorporando inclusive símbolos e marcas de Israel e dos judeus em suas manifestações.

Neste laboratório exploraremos essa bibliografia mencionada e outros textos de historiadores, filósofos e cientistas sociais. Como material de apoio também mobilizaremos ensaios e textos publicados na imprensa brasileira. Abordar a Israel imaginária é o caminho a partir do qual exploraremos, a um só tempo, a política contemporânea brasileira e o uso político de Israel como um traço que conecta o Brasil a outras partes do mundo em que esse uso também ocorre.