terça-feira, 17 de janeiro de 2012

“A Emergência do Brasil como Ator Global: Explicações Históricas, Conquistas Recentes e Futuros Desafios”



O seminário internacional “A Emergência do Brasil como Ator Global: Explicações Históricas, Conquistas Recentes e Futuros Desafios”, realizado de 11 a 13 de dezembro, em Jerusalém, representa um passo relevante no convênio recém assinado entre a UFRJ (NIEJ) e a Universidade Hebraica de Jerusalém. Esse evento inaugura, por assim dizer, um Programa de Estudos Brasileiros na Universidade Hebraica de Jerusalém, que permitirá que, de um lado, estudantes israelenses possam adotar o Brasil como objeto de estudos em diferentes áreas e, de outro, que estudantes brasileiros possam igualmente estudar a história de Israel e a sociedade israelense em toda sua complexidade.

O evento reuniu intelectuais, professores universitários, jornalistas, brasilianistas e diplomatas para discutir o Brasil no novo cenário internacional. Michel Gherman representou o NIEJ não apenas na organização do evento, como participou da mesa sobre comunidade judaica no Brasil. Graças ao NIEJ, vários professores e pesquisadores de referência foram sugeridos e convidados para participar do evento. O evento contou com a presença de 150 pessoas, o que demonstra o interesse crescente de estudantes e professores dessa universidade pelo Brasil. Leia abaixo um resumo do evento, preparado pelo prof. James Green, um de seus organizadores. 

Abertura do evento

A embaixadora do Brasil em Israel, Maria Elisa Berenguer, abriu a conferência enfatizando a importância do programa para aprofundar o entendimento entre israelenses e brasileiros. 

Ruth Fine, chefe do Departamento de Estudos da América Latina da UHJ, ressaltou que a iniciativa marca o estabelecimento do primeiro programa de estudos sobre o Brasil em todo o Oriente Médio. O professor Antonio Carlos Lessa, da Universidade de Brasília e editor da Revista Brasileira de Política Internacional (RBPI), falou sobre a emergência do Brasil no cenário internacional. 

A economia brasileira 

Werner Baer, da Universidade de Illinois, especialista em economia brasileira, lembrou os recentes sucessos econômicos, mas também enfatizou os desafios estruturais que o Brasil precisa superar para realizar uma redistribuição de renda efetiva e atingir a igualdade social. 

Ricardo Lessa, jornalista da Globo News, traçou um panorama da história recente do Brasil e enumerou as dificuldades para enfrentar o legado do regime autoritário. O jornalista e escritor Bernardo Kucinski abordou a prosperidade econômica alcançada nos últimos anos e discutiu seus efeitos na política brasileira e no aprofundamento da democracia. 

A sociedade brasileira 

Em um painel que examinou a diversidade da sociedade brasileira, o antropólogo Peter Fry, da UFRJ, abordou os debates em curso sobre como superar a desigualdade racial. Robert Chaves, da ONG AfroReagge, discutiu os problemas relacionados com as ações da polícia do Rio de Janeiro nas campanhas de combate à criminalidade e tráfico de drogas e sugeriu maneiras de como a sociedade civil pode responder à violência. O sociólogo David Lehmann, da Universidade de Cambridge, apresentou sua pesquisa sobre os movimentos evangélicos no Brasil e suas conexões com Israel. 

Direitos Humanos 

A Comissão da Verdade, recentemente estabelecida, foi um dos temas discutidos no painel sobre os direitos humanos e o legado dos regimes autoritários no Cone Sul. 

Luis Edmundo de Souza Moraes, da UFRRJ, relacionou questões ligadas ao antissemitismo, o Holocausto, a memória e os regimes militares que dominaram a América Latina a questões atuais sobre a consolidação da democracia e da justiça social. 

Renato Lessa, da UFF, também discutiu como a recente expansão do regime democrático ainda repousa sobre heranças de um passado autoritário, que precisam ser superadas. O cientista político Mario Sznajder, da UHJ, comparou os processos de democratização nos diferentes países do Cone Sul e analisou de que forma o Brasil tenta acertar contas com seu passado e a dificuldade em revisitar as violações dos direitos humanos cometidas pela ditadura militar. 

Cinema e cultura brasileira 

Um painel foi dedicado a mostrar o impacto internacional do cinema e da cultura brasileira. Dora Mourão, da ECA-USP, fez uma sinopse do cinema brasileiro e sua recepção no mundo ao longo das últimas cinco décadas. Dubi Lenz, organizador do Festival internacional de Música Israelense e fã da música brasileira, abordou o apelo da música e da cultura brasileiras junto ao público israelense. 

O Brasil e as Américas 

O jornalista Eugênio Bucci, professor da ESPM e da USP, discutiu a importância de garantir uma imprensa livre e justa, como valor central da democracia brasileira. O historiador Leonardo Senkman, da UHJ, comparou a história do populismo na Argentina e no Brasil para explicar por que o movimento sindical brasileiro e o Partido dos Trabalhadores tornaram-se atores importantes na política nacional. Miriam Gomes Saraiva, da UERJ, apresentou uma análise detalhada da política externa brasileira na América Latina. 

O Brasil e o Oriente Médio 

Tullo Vigevani, da Unesp, expôs o contexto das mais recentes iniciativas brasileiras na área de política externa, que incluem o reconhecimento do Estado palestino e a aproximação com o Irã. Eduardo Uziel, representando a Embaixada do Brasil em Israel, explicou a política do país com relação à região. Murilo Meihy, da PUC-RJ, apresentou uma análise detalhada das iniciativas de política externa do Brasil no Oriente Médio, na esteira da crise do petróleo de 1974 e as relações comerciais que se desenvolveram a partir de então entre o Brasil e diversos países da região. 

A comunidade judaica brasileira 

O painel final do evento centrou-se na resposta da comunidade judaica brasileira ao novo papel internacional do Brasil. O demógrafo Sergio Della Pergola, da UHJ, detalhou a composição das comunidades judaicas da América Latina, com foco no Brasil, e também tratou dos latino-americanos e brasileiros que imigraram para Israel nas últimas décadas. 

Jaime Spitzcovsky, diretor de Relações Institucionais da Confederação Israelita do Brasil, explicou como a entidade vem buscando o diálogo com o governo brasileiro a respeito de diversas preocupações da comunidade judaica, incluindo a política do país com relação a Israel e ao Irã. 

Michel Gherman, do NIEJ/UFRJ, co-organizador do seminário, explicou como jovens judeus brasileiros se tornaram mais envolvidos no debate sobre as políticas brasileiras e israelenses para os palestinos, Irã e Oriente Médio em geral. 

Próximos passos 

James Green terminou o evento com uma apresentação sobre heranças do passado que podem se tornar obstáculo para a consolidação da democracia brasileira e a afirmação do novo papel internacional do país. Ele também delineou as próximas metas para o estabelecimento do Programa de Estudos Brasileiros, na UHJ. 

Estas incluem a expansão da biblioteca da universidade e coleções de filmes sobre o Brasil; estabelecimento de corpo docente permanente; incentivo a acadêmicos brasileiros a se tornarem professores visitantes da UHJ; estabelecimento de bolsas de estudo para estudantes israelenses; e organização de conferências e seminários sobre o Brasil. 

O seminário foi co-patrocinado pelo Itamaraty, pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel; pelo Centro Liwerant da UHJ para o Estudo da América Latina, Espanha, Portugal e suas Comunidades Judaicas; pelo Instituto Truman para a Paz e Compreensão; e pelos Amigos da Universidade Hebraica no Brasil.

A partir da esquerda: Jayme Blay, presidente da Sociedade dos Amigos da Universidade Hebraica de Jerusalém; Yossi Benarroch, diretor da Divisão de Desenvolvimento e Relações Públicas da UHJ; 

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